Em um cenário econômico em constante transformação, investidores buscam opções que aliem segurança, rentabilidade e vantagens fiscais. Os Certificados de Recebíveis (CRs) surgem como alternativas atrativas dentro da renda fixa, oferecendo oportunidades de retorno acima da média e robustez jurídica.
Estabelecidos pela Medida Provisória nº 1.103/2022, convertida na Lei nº 14.430/2022, estes títulos ganharam espaço no mercado financeiro brasileiro, permitindo que empresas antecipem seus fluxos de caixa e investidores sejam recompensados por esse aporte.
Os Certificados de Recebíveis (CRs) são títulos de crédito privado emitidos por securitizadoras, com lastro em direitos creditórios de empresas. Esses direitos podem se referir a duplicatas, notas fiscais, vendas parceladas e recebíveis de cartão de crédito ou cartão private label.
Ao adquirir um CR, o investidor torna-se credor da securitizadora, que deve devolver o valor investido acrescido da rentabilidade contratada na data de vencimento. Essa dinâmica se assemelha a um empréstimo, porém oferece condições especiais e segurança reforçada.
Entender cada etapa da securitização é fundamental para avaliar riscos e potenciais ganhos. O procedimento segue quatro fases principais, garantindo transparência e eficiência operacional.
Dentro da família de CRs, existem duas categorias de destaque:
• CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários): lastreado em créditos do setor imobiliário, formalizados via Termo de Securitização de Créditos.
• CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio): vinculado a recebíveis do agronegócio, beneficiando o setor rural e seus financiamentos.
Nos últimos anos, as emissões de CRIs e CRAs cresceram substancialmente, impulsionadas pela atratividade da renda fixa e pela crescente demanda por diversificação de portfólio.
Um dos pilares de confiança nos CRs é o regime fiduciário de direitos creditórios. Nesse modelo, os recebíveis são segregados do patrimônio da securitizadora e destinados exclusivamente à liquidação dos certificados.
Isso oferece proteção aos investidores, pois eventuais dívidas da securitizadora não podem comprometer o lastro dos CRs. Além disso, órgãos reguladores exigem auditoria e avaliação contínua, promovendo maior transparência e credibilidade ao processo.
Os CERTS oferecem três formatos principais de remuneração, atendendo a diferentes perfis de investidores:
Cada modalidade traz trade-offs entre previsibilidade e proteção contra a inflação, permitindo ao investidor selecionar a opção mais adequada ao seu horizonte de investimento.
Para ilustrar as oportunidades, apresentamos alguns dos principais CRAs e CRIs disponíveis:
Além desses exemplos, o mercado brasileiro oferece diversas séries e classes, com diferentes níveis de risco e mecanismos de mitigação, como garantias reais e subordinação de fluxo de pagamentos.
Uma das vantagens mais relevantes dos CRIs e CRAs é sua isenção de Imposto de Renda (IR) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Isso significa que o investidor aproveita 100% da rentabilidade gerada, tornando-os competitivos em relação a outras alternativas de renda fixa.
Para investidores de alta renda, essa isenção pode representar ganhos expressivos ao longo do tempo, especialmente em cenários de alta inflação ou elevação de taxas de juros.
Apesar dos atrativos, os CRIs e CRAs são classificados como high yield, com remuneração elevada mas riscos proporcionais. Taxas de inadimplência em CRIs giram em torno de 4,75%, enquanto em CRAs ficam próximas a 3,64%.
Esses percentuais são considerados administráveis pelos especialistas, mas exigem atenção ao escolher séries, classes e garantias. A diversificação entre emissores e setores, bem como a análise de rating e perspectivas macroeconômicas, são práticas recomendadas.
Incorporar Certificados de Recebíveis ao portfólio pode trazer equilíbrio entre risco e retorno. Algumas dicas para maximizar os ganhos e reduzir riscos:
Ao combinar essas estratégias, o investidor pode aproveitar pagamentos regulares de juros e a segurança jurídica oferecida pelos títulos.
Os Certificados de Recebíveis representam uma alternativa sólida para quem busca diversificação e rentabilidade em renda fixa, com proteção contra inflação e incentivos fiscais. Ao entender sua estrutura, modalidades de remuneração e riscos, é possível montar um portfólio robusto, alinhado a objetivos de longo prazo.
Em um contexto de desafios econômicos, contar com ativos lastreados em recebíveis reais e regulados de forma rigorosa pode significar maior tranquilidade e performance financeira. Explore as oportunidades, estude as opções e fortaleça seu portfólio com CRIs e CRAs.
Referências